segunda-feira, 10 de junho de 2013

Belo Monte de ataques aos trabalhadores, aos povos indígenas e ao meio-ambiente

por Cleber Rabelo, operário e vereador de Belém


          A construção da Hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, sudeste do Pará, está revelando a verdadeira face do chamado “desenvolvimentismo” do governo Dilma: muito lucro pras grandes empreiteiras e um “belo monte de ataques” aos trabalhadores da Usina, aos povos indígenas da região e ao meio-ambiente.
           Toda semana é um escândalo novo. Desde exploração sexual de menores em prostíbulos clandestinos localizados dentro de área do Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), passando pela infiltração de espiões dentro dos canteiros de obra e de reuniões dos movimentos sociais em Altamira, até à militarização do empreendimento para reprimir operários em greve ou indígenas que reivindicam ser escutados sobre a construção da Usina.
Os R$ 22,5 bilhões de recursos públicos liberados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico-Social) para a construção do empreendimento, o maior empréstimo da história do país, estão sendo utilizados para degradar ainda mais a natureza e o povo trabalhador na região do Xingu. Mais de 50 mil pessoas já migraram para Altamira e a qualidade de vida da população tem piorado. O índices de criminalidade estão crescendo de forma alarmante (crscimento de 900% a apreensão de crack e 400% no número de latrocínios) e nenhum quilômetro de saneamento básico foi investido, fato que levou o Ministério Público Federal a entrar com várias ações exigindo a suspensão da licença da obra por conta do não cumprimento das condicionantes socioambientais que o CCBM e a Norte Energia deveriam realizar. A alta da inflação em Altamira e Vitória do Xingu também é uma consequência nefasta do empreendimento. Tudo está caro nessas cidades, a começar pelo Prato Feito que custa em média R$14,00. Não se encontra com facilidade casa para alugar ou quarto para se hospedar.  Além disso, não foram construídas novas escolas e postos de saúde e problemas que antes não existiam na cidade como engarrafamentos no trânsito estão causando muitos transtornos à população da região.
Os impactos de Belo Monte são terrivelmente profundos. No início de maio, os indígenas das etnia Munduruku, Juruna, Kayapó, Xipaya, Kuruaya, Asurini, Parakanã, Arara, além de pescadores e ribeirinhos, ocuparam por uma semana o canteiro exigindo que o governo federal cumprisse e regulamentasse a convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que trata da obrigatoriedade de oitivas com as populações tradicionais que podem ser atingidas por empreendimentos como Belo Monte. Os índios e demais povos tradicionais não foram escutados sobre a construção da obra.
E ao invés de cumprir a convenção internacional, o governo ainda defende os empreiteiros e ainda manda militarizar a obra. Dilma baixou o decreto 7957/2013 em março deste ano autorizando o envio da Força Nacional de Segurança para supostamente proteger o empreendimento. Na realidade, o papel da Força Nacional de Segurança, assim como o da polícia militar e da polícia de choque do governo do Estado do Pará, em Belo Monte tem sido o de intimidar e reprimir os trabalhadores que tentam se organizar e lutar contra a violação de direitos sindicais, trabalhistas e humanos que o CCBM tem cometido contra os operários. As demissões injustificadas viraram rotina. Na última greve mais de 2000 trabalhadores foram demitidos sem justa causa. Além disso, o CCBM desrespeita constantemente o acordo coletivo de trabalho, pois não garante o direito à baixada para os operários, está acabando com as horas intinere e mantém os trabalhadores num verdadeiro cárcere privado, pois ficam isolados no canteiro, distante da cidade, sem transporte para poder sair do canteiro sob o clima de brutal desrespeito e repressão por parte da FNS e da polícia nos alojamentos e refeitórios. Belo Monte é um moderno campo de concentração de operários.
A UHE também representa um ataque sem precedentes sobre o bioma amazônico. Vários estudos já comprovaram que o barramento do rio ocasionará a perda de biodiversidade (de espécies que ainda não são nem conhecidas pela ciência), diminuirá a quantidade de peixes nos rios (base da alimentação de indígenas e ribeirinhos), alagará cerca de 640 km², cuja floresta submersa gerará emissão de gás carbônico (responsável pelo efeito estufa) e está expulsará cerca de 20 mil famílias de suas terras.
Tudo isso para gerar energia para as grandes indústrias eletrointensivas do centro-sul do país a um custo financeiro, social e ambiental catastrófico.
Estudos conhecidos já demonstraram que com metade dos recursos que serão utilizados em Belo Monte seria possível produzir duas vezes mais energia que a capacidade instalada da Usina apenas investindo em redução das perdas nas transmissão, repotencializando os geradores das hidrelétricas já existentes no país, sem contar o investimento em biomassa e energia solar e eólica.
O fato é que Belo Monte é uma obra para as grandes empreiteiras que financiaram a campanha do PT, como a Odebrecth e a Camargo Correa, com a desculpa de gerar energia para desenvolvimento do país.
A realidade, porém, é que o tal desenvolvimentismo do PT é apenas uma face da moeda, a outra face é o autoritarismo, que leva à violação dos direitos dos trabalhadores, dos indígenas e ribeirinhos. Dilma ataca com a força da grana e da armas os trabalhadores e o meio ambiente em defesa do lucro e da ganância das grandes empreiteiras. É preciso pôr um basta nessa história de desenvolvimentismo autoritário que tem caracterizado os grandes projetos para a Amazônia desde a ditadura militar, pois os resultados são conhecidos por toda a gente que vive por aqui: crescimento desordenado das cidades, multiplicação das mazelas sociais como prostituição, pobreza e violência, altos lucros para um punhado de empresários e destruição ambiental.
Com os R$ 22,5 bilhões liberados pelo BNDES para a UHE seria possível resolver todos os principais problemas sociais da região, garantindo saúde, educação, terra, alimentos, saneamento, segurança e emprego sem matar o rio Xingu, sem desrespeitar os povos indígenas e sem violar os direitos humanos, sindicais e trabalhistas. A política econômica e ambiental do governo Dilma infelizmente está a serviço de uma lógica de poder que mantém, tal como na época da ditadura militar, os grandes capitalistas e seus interesses em primeiro lugar.
É preciso fortalecer as lutas contra a construção da UHE Belo Monte e exigir que os investimentos sejam decididos, controlados e redirecionados para atender às necessidades dos trabalhadores. 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

“Se não nos deixam sonhar! Não os deixaremos dormir!” CMB realiza debate da sobre a precariedade dos serviço na rede básica municipal de saúde mental


O vereador Cleber Rabelo (PSTU) participou na tarde de ontem da sessão especial, convocada pela vereadora Marinor Brito (PSOL), em alusão ao 18 de Maio (Dia Municipal de Luta Antimanicomial), instituído pela lei nº8053/2011.

A proposta da sessão, que contou com a participação de trabalhadores e usuários da rede municipal de atenção psicossocial, era debater e fiscalizar a situação da rede de atenção à saúde mental no município de Belém.

De acordo com a autora do evento, a situação da saúde mental em Belém está caótica e destacou que há em curso um vergonhoso processo de desmonte do pouco que restou da estrutura física e equipamentos e descaso total com os pacientes que precisam de tratamento especializado em transtornos mentais e para dependentes de álcool e outras drogas, além da sistemática perseguição aos funcionários com transferências e demissões.

Para o vereador Cleber Rabelo, além do processo de desmonte do serviço público municipal há uma corresponsabilidade por parte da maioria do vereadores da Câmara Municipal, base aliada do governo Zenaldo (PSDB), no que diz respeito a caos gerado na saúde de Belém.

O líder do PSTU, lembrou da primeira votação que houve no plenário da Câmara, em que a oposição solicitou a realização de uma audiência pública para debater as questões ligadas a saúde no município, e os vereadores a base aliada do governo vetaram a proposta para esconder a falta de controle do governo sobre o assunto.

Para o vereador há uma clara intenção dos governos estadual e municipal (PSDB) em privatizar a saúde. O parlamentar lembrou do convênio feito ainda no governo de Ana Júlia (PT) de 90 mil reais/mês, entre o Hospital de Clínicas Gaspar Viana e uma clínica psiquiátrica considerada pelo movimento um verdadeiro manicômio, que ainda utiliza métodos totalmente repudiáveis como o eletrochoque. Segundo as informações o convênio já teria sido renovado a partir do novo governo, e já estaria ultrapassando a casa dos 100 mil/mês.   

O parlamentar denunciou ainda o assédio moral sofrido por servidores e servidoras da rede, que ao reclamarem das condições de serviço e de trabalho são perseguidos por gestores indicados por vereadores da base do governo. Ele ressaltou a gravidade com que esse problema tem gerado constrangimento aos servidores e inclusive ressaltou a questão da apadrinhação política por parte de vereadores e o chefe do executivo. “Certamente, o papel o vereador não é fazer indicações de cargos e/ou chefias comissionadas nas secretarias, muito menos em postos de saúde, gerando um loteamento dos serviços de saúde [...] precisamos nos unir para combater essas práticas danosas” – afirma Cleber Rabelo.   

Como encaminhamento final da Sessão Especial, ficou decidido e aprovado pelos presentes que as entidades que participaram do evento constituirão um Fórum para debater e elaborar um Plano Emergencial para a Saúde Mental.

Participaram da Sessão: Waldir Macieira (Promotor de Justiça/MPE), Ester Oliveira (Movimento Paraense de Luta Antimanicomial), Vera Fonseca (Nups/Sesma), Luiz Gentil (Usuário/Saúde Mental), Jureuda Duarte (Conselho Regional de Psicologia), Rita Favacho (Clínica de Psiquiatria do Hospital Gaspar Vianna), Marilda Couto (Coordenadora Estadual da Saúde Mental), Pedro Júnior (Fórum de Trabalhadores da Rede de Atenção Psicossocial da Região Metropolitana de Belém) e vereadores: Fernando Carneiro (PSOL), Marinor Brito (PSOL) e Dr. Elenilson da Silva (PTdoB).






Nota de solidariedade a greve dos trabalhadores e trabalhadoras da COSANPA



A direção da Companhia de Saneamento do Pará - COSANPA tem mantido a postura de dificultar as negociações com a categoria, e vai além disso, Estão desrespeitando os trabalhadores, negando o reajuste da totalidade das cláusulas.

Em assembleia realizada no dia 22 de maio, foi deliberada a greve por tempo indeterminado, a partir desta terça feira (4). Nosso mandato de solidariza com a luta dos companheiros e companheiras servidoras. A greve é mais que válida, é a forma mais verdadeira e sólida nessa situação, para fazer a direção da COSANPA entender que os trabalhadores e trabalhadoras, apenas estão reivindicando seus legítimos direitos

Atualmente os gastos com pessoal chegam a 87,5% do que é arrecadado, por isso não é possível conceder um percentual maior de reajuste, afirma o presidente da companhia.

Um vergonhoso e excessivo gasto com a folha de pagamento dos comissionados, que custam cerca de R$800 mil reais mensais para os cofres da COSANPA.  A pergunta que não quer calar: Como a direção da COSANPA tem coragem de afirmar em mesa de negociação que não tem dinheiro para atender as reivindicações da categoria?

Além do desmantelamento com a gerenciamento dos recursos para os servidores a falta d'água, interrupções de horas ou dias, que se tornaram frequentes, deveriam ser motivo de autuações, caso Belém tivesse um órgão regulador do serviço. A empresa que é de economia mista também é de responsabilidade do governo do Estado e por tanto o governador Jatene (PSDB) também deverá responder por todas essas imprudências.

·         Exigimos a imediata negociação com a categoria;
·         Reajuste salarial de 12%;
·         Nomeação dos concursados;
·         Melhoria da qualidade dos serviços prestados a população do estado;
·         Por uma COSANPA 100% Estatal!


Belém, 06 de Junho de 2013
Cleber Rabelo
Vereador Operário e Socialista
PSTU


Palácio Augusto Meira Filho

Câmara Municipal de Belém